Presidente
da CBJ orquestra 'golpe' para comandar judô das Américas
05'Dez'2008 - Divulg.
JUDOBRASIL |
| O judô pan-americano está
à beira de sofrer a maior mudança política de sua história. Em um ousado plano
comandado pelo presidente da confederação brasileira, Paulo Wanderley Teixeira, a União
Pan-Americana de Judô, que rege a modalidade nas Américas, deve ser deposta e ter todas
as suas principais funções eliminadas. O brasileiro trabalha para criar uma entidade
paralela, sob seu poder, que assumiria as atividades atualmente relacionadas à UPJ. |
| O projeto está em etapa
avançada e já tem até nome: Confederação Pan-Americana de Judô. Neste fim de semana,
no México, devem ser realizadas reuniões entre os dirigentes dissidentes da UPJ no
México. As confederações justificaram sua viagem para a América do Norte com um
torneio para categorias menores, o Campeonato Continental Sub-15 e sub-13. A expectativa
é que a nova entidade entre em vigor no início de 2009. |
| Segundo Paulo Wanderley, ele
conta com o apoio de 22 dos 42 países filiados à União Pan-Americana. Entre eles, Cuba,
Canadá, Estados Unidos e Argentina, principais forças do continente. |
| O principal motivo para a
criação do órgão, de acordo o presidente da CBJ, seria uma série de irregularidades
cometidas pela atual gestão da UPJ. Entre elas, uma eleição às pressas realizada em
outubro para a escolha dos principais cargos. Atual mandatário, o dominicano Jaime
Casanova foi reeleito com 19 votos contra 1. Seus aliados, como o Diretor de Arbitragem
venezuelano Carlos Diaz, também foram eleitos. |
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| TORNEIOS
SEPARADOS COMPROVAM RACHA |
A disputa entre os
grupos rivais de países do continente é comprovada com a realização de dois
campeonatos paralelos simultaneamente neste fim de semana.
As nações aliadas a Jaime Casanova participam no sábado e domingo do Campeonato
Pan-Americano infato-juvenil e pré-juvenil realizado em Santo Domingo, na República
Dominicana.
Já os países partidários de Paulo Wanderley disputam na mesma data um torneio com o
nome de Campeonato Continental, realizado no México, com as mesmas categorias.
Procurados pela reportagem, técnicos e atletas brasileiros afirmaram que estão
viajando para o México para o Pan-Americano e se espantaram ao serem informados que o
torneio tinha outro nome. |
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| "Aconteceram uma série
de desrespeitos às normas da própria UPJ e da FIJ (Federação Internacional de Judô).
A eleição foi realizada fora do prazo e nem a própria FIJ a reconheceu. Por isso, nem
me candidatei e ainda recebi um voto. Só estamos tomando esta atitude como última
instância. Não faríamos isso se as leis fossem respeitadas", comentou Paulo
Wanderley, destacando que concorreria à presidência normalmente caso a eleição fosse
realizada em dezembro, como estava previsto. |
| Um dos partidários do
brasileiro é o presidente da Federação Mexicana de Judô, Manuel Larrañaga. Ele
confirmou a criação da entidade paralela e reiterou que a maioria dos atuais aliados de
Paulo Wanderley não compareceu ao pleito de outubro, pois estava na Tailândia na mesma
época acompanhando a realização do Campeonato Mundial Júnior. |
| O dirigente mexicano chegou
até mesmo a confirmar que uma das poucas certezas políticas do novo grupo é que ele
será presidido pelo dirigente capixaba. "Ainda não temos um vice-presidente
definido, por exemplo. Mas estamos caminhando para ter a liga em ação nos primeiros
meses do ano que vem. Aos poucos, tudo está sendo definido", afirmou Larrañaga. |
| Entretanto, nem todos os
membros supostamente acertados com a nova confederação falam abertamente sobre o
assunto. O executivo máximo do judô canadense, Vincent Grifo, preferiu não confirmar se
está efetivamente apoiando a causa capitaneada por Paulo Wanderley. "Tudo ainda
está meio escuro na política do judô pan-americano. Por isso, prefiro não comentar
sobre o caso". |
| A mudança à força no poder
do judô continental não teria somente o apoio de mais da metade dos países filiados à
UPJ. A Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), além da própria FIJ, dariam
suporte à troca, segundo informação confirmada Larrañaga e Wanderley. |
| Procurado pela reportagem do
UOL Esporte, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e vice-presidente da Odepa,
Carlos Arthur Nuzman, negou, por meio de sua assessoria de imprensa, ter qualquer
conhecimento sobre o assunto. A assessoria da FIJ não respondeu imediatamente aos e-mails
da reportagem sobre o assunto. Apesar disso, até mesmo Casanova confirma que seus rivais
já contam com o apoio da Odepa e da FIJ. |
| Em um comunicado emitido no
site oficial da UPJ intitulado "apologia a um golpe de estado", Casanova pede
ajuda ao Comitê Olímpico Internacional e a "toda comunidade desportiva
mundial", exigindo que a criação da "liga paralela" seja interrompida de
maneira drástica. "A todos que puderem intervir para desfazer este complô golpista
contra uma entidade legitimamente constituída", rogou o presidente da União
Pan-Americana. |
| As acusações de Jaime
Casanova começam em reunião realizada na Espanha em junho de 2007, organizada pelo
presidente Federação Espanhola de Judô, Juan Carlos Barcos. Na ocasião, representantes
das confederações de Brasil, Equador, El Salvador, Uruguai, México e Honduras se uniram
em Madri para iniciar "um plano macabro", segundo palavras do mandatário da
UPJ. |
| Depois, Casanova relembra a
reunião realizada no Rio de Janeiro em fevereiro deste ano, organizada por Paulo
Wanderley e com a presença do presidente da FIJ, Marius Vizer. Na época, o evento teve
grande repercussão, pois Casanova ameaçou desvincular o Brasil da UPJ e,
consequentemente, impedir o país de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim no judô. |
| "Ele (Casanova) tem todo
o direito de fazer o que acha que precisa e dizer essas coisas. Se ele tivesse obedecido
as leis que regem o esporte, não teria esse problema agora", completou Paulo
Wanderley, tranqüilo em relação às acusações do rival dominicano. |
Rodrigo Farah
(colaborou Brino Doro)
Uol Esportes |
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